segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Última ópera de Verdi, 'Falstaff' encerra o ‘Ópera na Tela’ no Parque Lage nesta terça,12

Divulgação

Homenageado na edição 2019 com exibição de cinco de suas obras, é com “Falstaff”,  última composição de Giuseppe Verdi, que o Festival Ópera na Tela se despede do Parque Lage, no Rio, nesta-terça-feira, 12 de novembro. Encenada pela primeira vez em 1893 no Teatro alla Scalla de Milão, a montagem marca a estreia do diretor Simon Stone na Ópera Nacional de Paris. Comédia lírica em três atos e com libreto de Arrigo Boito baseado em “As alegres comadres de Windsor” e trechos de “Henrique IV”, de William Shakespeare, a récita será cantada em italiano e tem legendas em português. A projeção inicia-se às 19h e os ingressos estão à venda na bilheteria da tenda e pelo site www.operanatela.com
 
Depois de passar pelas tendas em São Paulo – no pátio do Museu da Casa Brasileira – e no Rio de Janeiro - no Parque Lage – o Festival Ópera na Tela segue para os cinemas até meados de 2020. Dezenove cidades já estão confirmadas: Aracaju (SE), Belém (PA), Botucatu (SP), Brasília (DF), Cotia (SP), Curitiba (PR), Florianópolis (PR), Jundiaí (SP), Londrina (PR), Maceió (AL), Maringá (PR), Palmas (TO), Pelotas (RS), Petrópolis (RJ), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Santos (SP) e São Paulo (SP). A ‘turnê’ pelo Brasil exibirá 12 récitas inéditas da temporada recente europeia. A programação atualizada está disponível no site http://operanatela.com/2019/programacao/cidades/ Os ingressos podem ser adquiridos nas bilheterias ou sites dos cinemas de cada cidade e seus valores são os praticados por cada rede de exibição.

SOBRE FALSTAFF QUE ENCERRA AS EXIBIÇÕES NO PARQUE LAGE

Última ópera de Verdi, “Falstaff” foi também sua primeira obra cômica desde o desastre de “Un giorno di regno”, 53 anos antes. Composta quase em segredo, mostrou que ele ainda podia surpreender aos 79 anos. “Falstaff” revela o humor de Verdi na loquacidade da orquestração, nas “fugas cômicas” e nos tumultuados ensembles, um deles com 12 partes vocais. Ele parodia não só as óperas cômicas de Rossini como algumas de suas próprias obras dramáticas.

Nesta montagem, sir John Falstaff é o senhor de uma estranha comunidade na qual hippies convivem em perfeita harmonia na mesma casa com roqueiros, squatters, grafiteiros e anarquistas. Ao lado, moram os personagens do mundo ultrassofisticado da família Ford, na qual imperam o luxo e a sensualidade. É sobre o contraste entre esses dois universos que o diretor Martone estrutura a unidade da obra. Joga ainda com a ideia de que esses dois hemisférios de um mesmo mundo poderiam, afinal, reunir-se em torno de um mínimo denominador comum, representado por valores como o amor, a verdade e… os prazeres da boa mesa!

O sucesso obtido nesta produção deve tanto a excelência dos talentos individuais quanto à homogeneidade do conjunto. À frente de uma Staatskapelle na sua melhor forma, Daniel Barenboim mostra-se meticuloso e atento a cada detalhe, não só quanto aos músicos no fosso como também ao que se passa no palco. A orquestra revela-se, sob todos os aspectos, magnífica e o colorido de sua performance é de uma sutileza infinita. Os músicos traduzem à perfeição a inteligência da leitura proposta pelo maestro, fazendo com que um equilíbrio perfeito se mantenha ao longo do espetáculo.

No plano vocal, o elenco tem um desempenho irrepreensível e bastante homogêneo. A Mrs. Quickly de Daniella Barcellona está divertidíssima na pele da mulher fatal disposta a tudo para realizar seus objetivos e nos brinda com uma voz calorosa, capaz de enfeitiçar o público. Katharina Kammerloher dá vida às artimanhas de Mrs. Meg Page e completa de forma competente o quarteto feminino dominado pela Nanetta de Nadine Sierra e pela Alice de Barbara Frittoli. Esta última exibe toda a sua classe, sua elegância e sua presença, que marcam as atitudes e a voz de uma figura da alta nobreza. Nadine Sierra, como Nanetta, apresenta a originalidade de um timbre único.

Entre os homens, as vozes do duo Bardolfo-Pistola se harmonizam e se completam no seu colorido e sua intensidade. Francesco Demuro, no papel de Fenton, oferece-nos uma voz clara e de grande beleza. Seu monólogo na cena 1 do segundo ato, com a cortina baixada, merece todo o nosso respeito. Enfim, Alfredo Daza surpreende com sua autenticidade e seu empenho.

Quanto a Michael Volle, como Falstaff, ele cumpre sua missão da forma mais brilhante e convincente e ainda por cima caracterizado como hippie! Em termos vocais, impressiona pela potência de sua emissão e surpreende pela riqueza de sua paleta. Ora retumbante, ora meloso, amuado ou irritado, patético ou digno de pena, brutal ou afetuoso, Volle mostra-se capaz de despertar o entusiasmo de uma plateia cativada pela força do personagem.

                                                                                                (texto da curadora Emmamuelle Boudier)

FALSTAFF, de Giuseppe Verdi
Opera do Estado de Berlim
Maestro: Daniel Barenboim
Direção: Mario Martone
Cenografia: Margherita Palli
Figurinos: Ursula Patzak
Coreografia: Massimo Giordano
Comédia lírica em três atos.
Libreto de Arrigo Boito baseado em As alegres comadres de Windsor e trechos de Henrique IV, de William Shakespeare.
Cantado em italiano, com legendas em português.
Encenada pela primeira vez em 1893 no Teatro alla Scala de Milão.
Duração: 2h10
Elenco: Lucio Gallo (Sir John Falstaff), Alfredo Daza (Ford), Francesco Demuro (Fenton), Jürgen Sacher (Dr. Caius), Stephan Rügamer (Bardolfo), Jan Martiník (Pistola), Barbara Frittoli (Mrs. Alice Ford), Nadine Sierra (Nanneta), Daniela Barcellona (Mrs. Quickly) e Katharina Kammerloher (Mrs. Meg Page)
Sinopse: Falstaff é um homem sem escrúpulos, que recorre à mentira para zombar e se aproveitar de todos ao seu redor. Depois de tentar conquistar mulheres casadas, invadir e roubar a casa de um homem e demitir injustamente seus criados, ele está na mira de todos aqueles a quem prejudicou. Essa produção do Stattsoper de Berlim transpõe Falstaff na época atual, revelando assim como essa história é atemporal e sempre muito divertida.

O FESTIVAL
A edição 2019 do Festival Ópera na Tela exibiu, no Rio, uma récita europeia por dia em montagens grandiosas em tela gigante, com alta qualidade de som e imagem, cadeiras confortáveis e preços acessíveis. As projeções ao ar livre, em uma tenda montada a céu aberto, homenagearam Verdi - exibindo cinco de suas composições mais famosas - além de obras de Mozart,  Puccini, Wagner, entre outros. Antes do Rio, o evento fez sua estreia em São Paulo, no Museu da Casa Brasileira (de 18 e 27 de outubro).

Em cópias digitais e legendadas, as 12 récitas exibidas integraram a temporada europeia recente e trazem diversidade na programação em montagens clássicas e releituras mais contemporâneas, tornando a atualidade lírica mundial acessível ao público brasileiro através da tela. Algumas das produções apresentadas no festival podem chegar a custar até três milhões de euros e raramente são montadas fora da Europa e quase nunca na América Latina. Destaque também para a ópera multimídia “Liquid Voices – a História de Mathilda Segalescu” da brasileira Jocy de Oliveira. A programação completa do festival está no site: www.operanatela.com     A vinheta do festival: https://youtu.be/ft11YxXbchw

O festival Ópera na Tela tem produção da Bonfilm– responsável também pelo Festival Varilux de Cinema Francês – e da Atti Comunicação, e conta com patrocínio master da Leroy Merlin, de Sofitel Hotels & Resorts, Ministério da Cidadania, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, Prefeitura do Rio de Janeiro, Secretaria Especial da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, Lei de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal de Cultura, Lei Municipal de Incentivo à Cultura - Lei do ISS. E com o patrocínio da EDF e de EDENRED TICKET.

Serviço:
Festival ÓPERA NA TELA no Rio de Janeiro
Ingressos: https://site.bileto.sympla.com.br/operanatelario/
Data: até 12 de novembro
Horário: Segunda a Sábado às 19h e Domingos às 18h.
Local: Parque Lage - R. Jardim Botânico, 414 - Jardim Botânico
Ingressos: R$24 (inteira) e R$12 (meia)
Assinantes do jornal O Globo pagam meia entrada
Capacidade: 500 lugares
Classificação indicativa: Livre ou 14 anos, dependendo da obra
Outras informações: meia entrada conforme legislação e para classe artística mediante comprovação

Sobre o Festival Ópera na Tela
Em sua quinta edição, o Festival Ópera na Tela exibe 12 óperas europeia inéditas e recentes em uma tenda montada ao ar livre no Parque Lage, com telão, espreguiçadeiras e som de última geração até o dia 12 de novembro. Em São Paulo, pela primeira vez, a tela gigante foi montada no Museu da Casa Brasileira com projeções entre 18 e 27 de outubro. A seleção de peças líricas entra em diversas cidades brasileiras até meados de 2020.

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