quarta-feira, 3 de março de 2021

Repórter Record Investigação volta a Mariana para mostrar os impactos irreversíveis na vida das vítimas

Divulgação

O Repórter Record Investigação desta quinta-feira, dia 04/03, retorna à cidade de Mariana (MG) para mostrar como estão as vítimas do rompimento da barragem do Fundão, que aconteceu em novembro de 2015.  

Sem julgamento, o crime, que matou 19 pessoas, atingiu 39 cidades e contaminou rios, ainda permanece impune. Para piorar a situação, não há respostas plausíveis que indiquem que haverá uma recuperação ambiental da região em um futuro próximo. 

Após cinco anos, familiares e sobreviventes revelam suas dores ao programa, que mostra também os impactos irreversíveis na vida dos atingidos. Como indica um estudo publicado em um dos periódicos médicos mais importantes do mundo, foi detectada a presença de metais pesados, como arsênio, zinco e níquel, no sangue dos moradores do município de Barra Longa, cidade vizinha de Mariana, o que pode causar graves problemas de saúde. 

A patologista Evangelina Vormitagg coordenou a pesquisa e alerta para os males resultantes desta intoxicação. "Podem causar problemas cardiológicos, neurológicos, câncer, doenças crônicas que levem à debilitação do sistema imunológico. Podem ocorrer também abortos e más formações fetais", afirma

Moradora da região, Andrea diz à equipe do Repórter Record Investigação que ela e os filhos sofrem as consequências da intoxicação. "Meu cabelo caiu muito. É muito triste perder cabelo", desabafa. A filha, Maíra, de 18 anos, é quem cuida da mãe. "Minha preocupação é perder minha mãe. Ela toma muito remédio, já ficou internada como se fosse louca. Eu não posso sair de casa. Tenho medo do que possa acontecer com ela", lamenta. 

Muitos dos sobreviventes ainda não se adaptaram à nova vida na cidade de Mariana, já que tudo que tinham foi completamente perdido. Eles não têm esperança de ver suas casas reconstruídas pelos responsáveis pelo crime. "Meu sentimento é de injustiça. Cinco anos se passaram, e eu e minha família ainda não temos casa para morar", conta Romeu, que vivia em Paracatu de Baixoum dos subdistritos engolidos pelos rejeitos de lama, desde que nasceu.  

O jornalístico mostra que, com embarcações abandonadas, rios contaminados e pescadores sem trabalho, os impactos do crime de Mariana no meio ambiente ainda vão perdurar por décadas. 

A reportagem é de Rogério Guimarães, Mariane Salerno, Leonardo Mederiso e Aldrich Kanashiro. 

O Repórter Record Investigação vai ao ar nesta quinta-feira, às 22h45. A apresentação é de Adriana Araújo. 

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